
Compartilho com vcs hj um trecho do
livro “Pare de reclamar e concentre-se
nas boas coisas”, cujo autor é Will
Bowen, pastor da Christ Church Unity, em Kansas City, Missouri. Antes de
abraçar o sacerdócio, passou muitos anos trabalhando no rádio e nas áreas de
vendas e marketing. Em 2006, desenvolveu um movimento “Um Mundo Sem Reclamação” com base num princípio simples: coisas boas acontecerão se você deixar de lado suas queixas e lamentações.
Bowen distribuiu pulseiras aos fiéis de sua igreja e lhes proôs um desafio: passar 21 dias sem reclamar de nada nem de ninguém. Eles deveriam colocar a pulseira em um dos punhos e, toda vez que fizessem uma crítica ou se lamentassem, teriam de mudá-la de posição.
Menos de uma no depois, cerca de 6 milhões de pessoas, em mais de 80 países, haviam aderido à idéia e encarado o desafio de tentar eliminar a reclamação de suas vidas.
O hábito de reclamar está tão presente em nosso dia a dia que muitas vezes nem nos damos conta dele. Mesmo as pessoas que se consideram otimistas e positivas vivem se queixando do mundo à sua volta. Com este método de monitoramento e autocontrole, adquirimos consciência de nossas atitudes e adotamos um comportamento mais positivo. Mudando nossas palavras, conseguimos transformar nossos pensamentos e dar os primeiros passsos em direção a uma vida mais alegre, serena e bem-sucedida.
É um livro que apresenta histórias que nos ajudam a compreender de que forma o hábito de falar mal de tudo pode atrapalhar a nossa vida e ensina como podemos nos livrar dessa venenosa forma de expressão.
Para saber
mais sobre este movimento, acesse o site WWW.acomplaintfreeworld.org.
Recomendo a leitura deste livro!!!
“Há
oito anos, conheci um homem que ajudou uma pessoa amada a mudar sua maneira de
pensar diante de uma situação trágica. Tudo começou quando vi uma placa à beira
da estrada.
A
placa era feita de papelão grampeado numa ripa de madeira. Avistei-a quando me
preparava para atravessar a ponte sobre o rio Waccamav, nas imediações de
Conway, Carolina do Sul. Bem ali, em meio ao lixo e aos formigueiros, ela fazia
um convite:
Balancei a
cabeça diante da ingenuidade de quem escrevera aquilo e continuei a dirigir –
sem buzinar.
Falei com
meus botões: “Que baboseira! Feliz? O que é estar feliz?” Nunca soube o que era
ser feliz. Sabia o que era prazer. Mas, mesmo em meus sentimentos de maior
prazer e satisfação, me pegava imaginando quando alguma coisa ruim ia acontecer
para me trazer de volta à realidade. “A felicidade é uma fraude”, eu pensava. A
vida é dolorosa e cheia de desafios, e quando as coisas estão bem há sempre
algo na próxima esquina que vai tirá-lo da “fantasia de felicidade” bem
depressa. “Talvez a gente fique feliz depois de morrer”, imaginei, mas não
estava seguro quanto a isso.
Num
domingo, umas duas semanas depois, Gail e Lia (que tinha 2 anos na época)
estavam no carro comigo enquanto descíamos a rodovia 544 em direção a Surfside
Beach, onde visitaríamos alguns amigos. Estávamos ouvindo canções infantis,
cantando, rindo e desfrutando nosso tempo juntos. Ao me aproximar da ponte para atravessar o
Waccamav, vi os dizeres novamente e, sem pensar, buzinei.
- O que foi? – perguntou Gail. –
Você viu alguma coisa?
- Nada de mais – respondi. – Há um
cartaz na beira da estrada que diz “Buzine se estiver feliz!”. Eu me senti
feliz e buzinei.
Aquelas
palavras faziam todo o sentido do mundo para Lia. As crianças não tem os
conceitos de tempo, responsabilidades, desapontamentos, traições ou quaisquer
outras limitações e feridas que os adultos carregam. Para elas, a vida é o agora, e o agora é feito
para a felicidade. Quando o momento seguinte chegar, também será feito para a
felicidade. Buzine e celebre este momento feliz.
Mais
tarde, voltando para casa, passamos novamente em frente ao cartaz. Gail leu as palavras para Lia e ela gritou:
“Buzine, papai, buzine.” Àquela altura, minha agradável perspectiva do início
do dia havia mudado e eu não pensava mais em ver os amigos e usufruir a
companhia da minha família. Tinha começado a pensar em tudo o que esperava por
mim no trabalho, no dia seguinte, e a temer o que estava por vir. Eu não estava nada feliz, mas apertei a
buzina para satisfazer minha filha.
Nunca
esquecerei o que aconteceu em seguida. Bem lá no fundo e por apenas um momento,
senti-me mais feliz do que estava segundo antes – como se buzinar tivesse a
propriedade de me tornar mais feliz. Talvez fosse algum tipo de reação
pavloviana. Talvez ouvir a buzina
despertasse em mim alguns dos bons sentimentos que eu tinha da última vez que
buzinara.
Daquele
momento em diante, não conseguíamos passar naquele trecho da estrada sem que
Lia me lembrasse de buzinar. Percebi que cada vez que buzinava meu termostato
emocional esquentava. Numa escala de 1 a
10, se eu estivesse me sentindo no 2, quando apertava a buzina meu grau de felicidade subia vários
pontos. Comecei a buzinar todas as vezes
que passava por ali, mesmo quando estava sozinho no carro.
Um
dia, Gail chegou em casa engolindo o riso.
Sentindo que deveria ser alguma coisa relacionada a Lia e sem querer
embaraça-la, esperei que fosse brincar no quarto e perguntei a Gail oq eu era
tão engraçado. Ela caiu na
gargalhada. Tentando recuperar o fôlego,
contou-me o que tinha ocorrido.
- Eu estav dirigindo e conversando
com Lia, quando mudei de pista e acidentalmente dei uma fechada em outro veículo. O carro estava num ponto cego e eu não tinha
visto. Quase joguei o pobre do motorista
para fora da estrada.
Gail
riu, mas eu não estava achando a menor
graça na situação.
- O motorista do outro carro ficou
tão furioso que disparou até nos alcançar, fez um gesto obsceno e apertou a
buzina.
Pensei
que esse assunto não era digno de gargalhadas e que minha esposa não estava no
seu juízo perfeito.
- Mas o que é tão engraçado assim?
– exigi saber.
- Quando o homem buzinou –
continuou Gail, percebendo minha preocupação e procurando se recompor -, Lia
apontou para ele e disse: “Olha só, mamãe, ele está feliz!”
Demorou
um segundo até que a ficha caísse e eu também tivesse um ataque de risos. Que preciosa perspectiva nos fornece uma
criança! Graças às nossas experiências com o cartaz, ela concluíra que, ao
buzinar, a pessoa só podia estar feliz.
O
sentimento positivo que eu experimentava ao ver a placa e buzinar começou a se
aprofundar. O cartaz ficava no acostamento da auto-estrada, próximo a um bosque
que separava algumas casas da ponte. Com
o passar do tempo, comecei a pensar na pessoa que o colocaria ali e por que
tinha feito tal coisa.
Nessa
época, eu vendia seguros e visitava meus clientes em suas casas. Certo dia fui visitar uma família que morava
uns 2 km ao norte da rodovia 544. Porém, quando cheguei lá, fui informado de
que meu cliente tinha saído. Por um momento, fiquei abatido, mas logo que
deixei o condomínio percebi que me encontrava do outro lado da mata que
acompanhava a estrada. Enquanto dirigia,
calculei o ponto onde eu estava em relação ao cartaz “feliz” e, quando achei
que estava próximo, parei na casa em frente.
Era
uma casa de apenas um pavimento, cinzenta e pré- fabricada, com ornamentos em
vermelho-escuro. Ao subir a escada que
levava à porta da frente, notei que tudo era muito simples mas bem
cuidado. Fiquei imaginando o que diria
se alguém abrisse a porta: “Oi! Vi uma placa na beira da estrada do outro lado
desse bosque e queria saber se por acaso o senhor sabe alguma coisa a respeito
dela.” Ou talvez: “Será que vocês são as
pessoas do ‘Buzine se estiver feliz’?”
Estava sem jeito, mas queria entender a história por trás do cartaz que
tinha promovido tamanho impacto na minha forma de pensar e de viver. Quando toquei a campainha, não tive a menor
chance de fazer qualquer daquelas perguntas.
- Pode entrar – disse um homem,
com um sorriso amplo e caloroso.
Agora
eu realmente estava sem jeito.
“Ele
deve estar esperando outra pessoa”, pensei, “e acha que sou eu.” De qualquer
maneira, entrei na casa e ele apertou minha mão. Expliquei que costumava passar
pela rodovia no trecho próximo à sua residência e que ficava curioso com uma
placa com os dizeres “Buzine se estiver feliz”.
Pelos meus cálculos, o cartaz ficava na altura da casa dele, e eu queria
perguntar se por acaso ele sabia alguma coisa a respeito do assunto. Seu sorriso aumentou, e ele me contou que
tinha colocado a placa ali mais de uma no antes e que eu não era o primeiro a
parar e fazer perguntas.
Enquanto
eu ouvia o som da buzina de um carro à distância, ele disse:
- Sou treinador numa escola de
ensino médio aqui da região. Minha
mulher e eu gostamos de morar aqui, perto da praia. Fomos muito felizes juntos, por muitos anos.
Seus
olhos azuis e claros pareciam penetrar nos meus.
- Algum tempo atrás, minha mulher
ficou doente. Os médicos disseram que
não havia nada a fazer. Eles lhe deram
quatro meses de vida, no máximo seis.
Fiquei
desconfortável com o breve silêncio que se seguiu, mas ele não se incomodou.
- A princípio, ficamos em estado
de choque – prosseguiu.
– Em seguida, com raiva. Depois, nos abraçamos e choramos por dias a
fio. Finalmente, aceitamos que a vida
dela estava chegando ao fim. Ela se
preparou para morrer. Colocamos uma cama hospitalar no quarto, e ela ficava ali
deitada, no escuro. Nós dois nos sentíamos
péssimos. Um dia, eu estava sentado na
varanda enquanto ela tentava dormir, mas não conseguia por causa da dor. Senti que estava a ponto de me afogar no meu
desespero. Meu coração estava
dolorido. Mas, sentado ali, eu podia
ouvir os carros que passavam pela estrada seguindo em direção à praia.
Seu
olhar se desviou para um canto do cômodo por um momento. Então, como se lembrasse que estava no meio
de uma conversa com outra pessoa, ele balançou a cabeça e continuou a história.
- Você sabia que o Grand Strand, a
faixa de 90km de praias na costa da Carolina do Sul, é um dos principais
destinos turísticos dos Estados Unidos?
- Hum... Sim, eu sabia disso –
respondi. – Mais de 13 milhões de turistas por ano visitam as praias dessa
região.
- Certo – disse ele. – E há
momento mais feliz do que quando se está saindo de férias? Você planeja,
economiza e então parte para aproveitar algum tempo com a família. É maravilhoso.
Uma
longa buzinada reforçou o ponto aonde ele queria chegar. O treinador pensou por
um momento e prosseguiu.
- Enquanto eu estava sentado ali,
me veio a idéia de que, embora minha mulher estivesse morrendo, a felicidade
não precisava morrer com ela. De fato, a
felicidade estava bem à nossa volta, nos milhões de carros que passavam a
algumas dezenas de metros de nossa casa diariamente. Por isso coloquei aquela placa. Não tinha
nenhuma expectativa. Queria apenas que
as pessoas nos carros não ficassem alheias à felicidade daquele momento. Pois esse momento especial – que nunca será
repetido – deve ser saboreado e precisamos ter consciência da nossa felicidade.
Várias
buzinas, de diferentes veículos, soaram numa rápida sucessão.
- Minha mulher começou a ouvir as
buzinas – disse ele. – A princípio eram poucas, uma aqui, outra ali. Ela me
perguntou se eu sabia o que estava acontecendo, e lhe contei do cartaz que
havia colocado. Com o tempo, o número de
carros que buzinava aumentou, e aquilo passou a ser uma espécie de remédio para
ela. Ela ouvia as buzinas e encontrava
grande conforto em saber que não estava isolada, morrendo num quarto
escuro. Ela fazia parte da felicidade
geral do mundo.
Permaneci
em silêncio por um momento, tentando absorver o que ele tinha partilhado
comigo. Que história tocante e
inspiradora.
- Você gostaria de conhecê-la? –
perguntou.
- Sim – respondi, surpreso.
Tínhamos falado tanto de sua mulher que eu começara a pensar nela como uma
personagem de uma história rica e maravilhosa, e não como uma pessoa de carne e
osso. Enquanto atravessávamos o corredor
e nos dirigíamos ao quarto, preparei meu espírito para não parecer chocado
diante do triste quadro que me esperava.
Mas, ao entrar, me deparei com uma senhora sorridente, que parecia estar
fingindo estar doente, em vez de se encontrar de fato à beira da morte.
Do
lado de fora, outra buzina ressoou.
- Lá vai a família Harris. É bom ouvi-los
de novo. Senti a falta deles – disse ela.
Depois
de sermos apresentados, ela explicou que sua vida agora era tão rica quanto
antes. Centenas de vezes ao dia e também
durante a noite ela ouvia todo tipo de buzina anunciando que existe felicidade
no mundo.
- Eles não tem ideia de que estou aqui deitada, ouvindo - falou. - Mas eu os conheço. Cheguei ao ponto de saber quem são pelo som de suas buzinas. - Ela corou e prosseguiu: - Inventei histórias sobre acada um. Imagino o que vão fazer, se vão à praia ou jogar golfe. Se é um dia chuvoso, imagino que vão visitar um aquário e fazer compras. À noite, imagino que vão ao parque de diversões ou então dançar à luz das estrelas. - Sua voz falhou e ela sussurrou antes de adormecer: - Que vida felizes... Que vidas mais felizes!!
O treinador sorriu pra mim, e nós dois nos levantamos e saímos do quarto. Em silêncio, ele me acompanhou até à porta, mas antes de partir uma pergunta veio à minha mente.
- Você me disse que os médicos deram, no máximo, seis meses de vida à sua esposa, certo?
- Certo - respondeu ele com um sorriso, antecipando a pergunta seguinte.
- Mas você falou que ela já estava doente meses antes de você colocar a placa.
- Isso mesmo - respondeu.
- Mas já faz mais de um ano que vejo o cartaz na beira da estrada - falei.
- Exatamente - disse ele, acrescentando: - Por favor, venha nos visitar sempre que quiser.
A placa ficou à mostra por mais um ano inteiro. Então, um dia, desapareceu subitamente. "Ela deve ter morrido", pensei com tristeza, enquanto dirigia. "Pelo menos estava feliz no final e resistiu bem mais do que o esperado. Será que os médicos ficaram surpresos?" Alguns dias depois, voltei a pegar a rodovia 544 em direção à praia e, pela primeira vez, senti tristeza em vez de felicidade, enquanto me aproximava da ponte. Olhei de novo, imaginando que o vento ou a chuva poderiam ter destruído o pequeno cartaz feito à mão. Mas ele realmente não estava mais lá.
De repente, vi algo que elevou o meu espírito. No lugar onde ficava a velha placa de papelão havia agora um novo letreiro, amarelo-brilhante, de 2m de largura por 1,5m de altura, emoldurado por luzes que piscavam. Dos dois lados da placa, em letras enormes e iluminadas, a frase: "Buzine se estiver feliz."
Com lágrimas nos olhos, apertei minha buzina para que o treinador e sua mulher soubessem que eu estava passando. "Lá vai o Will", imaginei ela dizendo, com um sorriso melancólico.
Com o apoio do marido, em vez de se concentrar em sua dura realidade, essa mulher maravilhosa passou a prestar atenção no que havia de bom à sua volta. E assim conseguiu resistir à doença, abraçando a vida e tocando milhões de pessoas.
Você também pode ajudar alguém a mudar de vida dando seu apoio na jornada sem reclamações. Encontre uma pessoa que você possa encorajar e que possa fazer o mesmo por você. Juntos vocês vão chegar lá."
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