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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A POBREZA TEOLÓGICA DAS COMPOSIÇÕES EVANGÉLICAS

   A pobreza teológica nos textos de nossa hinódia contemporânea pode ser relacionada aos seguintes problemas:
1 - Falta de maturidade cristã dos compositores - O conteúdo pobre de alguns trabalhos musicais é fruto do pouco conhecimento bíblico e da falta de intimidade com Deus por parte dos compositores.
    Compositores profissionais não estão preocupados em ouvir a voz de Deus e entender Sua vontade. Não são Profetas, são Profissionais, e só.
   Alguns são apenas novos conversos, oriundos de carreiras artísticas mundanas e mal chegam à igreja começam a compor utilizando jargões típicos e carregando na palavra "amor". Noutros casos, são crentes revoltados e sem igreja nem pastor. Geralmente pregam o ecumenismo e expõem revolta em suas canções.
2 - Interesses comerciais - O mundo musical evangélico evoluiu e agora os interessados em se tornar "astros gospel" podem contar com assessorias especializadas, geralmente profissionais de grandes gravadoras, que orientam a gravar o provável gosto popular. Qual a tendência? O que não gravar? Que compositores estão em alta? Mesmo quando o trabalho é independente, não se reúne facilmente um total de músicas para completar o CD e então o cantor/compositor se apressa em escrever uma música sem pensar muito no que está dizendo. O resultado é uma composição "água com açucar", superficial, artificial.
   Aliás, a onda é compor uma ou duas frases e repeti-las trocentas vezes. Isto é influência da chamada música baiana. Aliás, dizem nos bastidores que gente ligada à essa corrente tupininquim só precisa de duas letras para fazer uma música (A Ô ou Ê Ô).
   O contrato de algums "atros" prevê o lançamento de até mais de um CD por ano. Daí a verdadeira indústria de composições. Outro dia lí o testemunho de um pastor brasileiro dos EUA que hospedou dois nomes da MPEB e os viu compor mais um "sucesso" numa tarde regada de pipoca, coca-cola e muitas risadas. Sem meditação, sem oração, sem reflexão, portanto, sem mudança, sem efeito produtivo, sem conteúdo relevante. Não que eu ache que compor exige um ritual de isolamento ermitão, mas em se tratando de algo que será cantado em igrejas e que estará, literalmente, na boca de milhões, creio que é preciso mais do que pipoca e refrigerante.
3 - Falhas de Tradução - Adaptações mal feitas, versões e mesmo traduções que desprezam o sentido original de algumas frases, contribuem para músicas com pouco nexo. Erros de pontuação e impressões mal feitas em gráficas também somam. Como exemplo, a Harpa Cristã contém alguns desses problemas pois muitas músicas foram adaptações de traduções anteriores. Um caso clássico é a confusão no hino 151, "Fala Jesus Querido", maravilhoso hino cujo tradutor é desconhecido:
"Fala, Jesus querido; fala-me, hoje sim!
Fala com Tua bondade; fica ao pé de mim;
Meu coração aberto 'stá pra Tua voz ouvir;
Enche-me de louvores e gozo pra Te servir."
 O texto original em inglês arcaico:
"Speak to my soul, dear Jesus, speak now in tend’rest tone;
Whisper in loving kindness, “Thou art not left alone.”
Open my heart to hear Thee, quickly to hear Thy voice,
Fill Thou my soul with praises, let me in Thee rejoice."

   A polêmica está na denotação de que se pede para que Jesus fique "ao pé" do adorador. Mesmo diferente do que diz o original, uma correção gráfica inverteria o sentido. Seria Jesus quem aconselharia o adorar a não se afastar Dele:
[Fala com Tua bondade: - Fica ao pé de mim; ou Fala com Tua bondade: "fica ao pé de mim"]
   Daria outro sentido, mais correto, todavia ao ser entoado o texto, o ouvinte continuaria com a mesma dúvida.
4 - Fonte imprópria ou contaminada - Por incrível que pareça, há composições que estamos cantando e que foram feitas por pessoas não evangélicas, até mesmo adoradores de entidades demoníacas. São encomendadas e pagas ou incluídas em trabalhos de grandes nomes do gospel simplesmente por amizade.
   Um caso emblemático se deu com a Banda Novo Som, que gravou em 1999 o CD "Não é o fim". No trabalho original foi gravada a música FONTE DE AMOR, de autoria de Sérgio Knust e que nada mais é do que a PRECE DE CÁRITAS, uma oração espírita. Depois que o caso veio a público, o compositor emitiu uma nota muito esclarecedora e o CD foi recolhido e relançado sem a tal composição:
DECLARAÇÃO
    Venho por meio desta informar para quem interessar possa, que eu Sérgio Knust Bittencourt Sampaio, autor da música "Fonte de Amor" do CD "Não é o fim" do grupo Novo Som, não informei ao grupo nem à gravadora que esta música tinha qualquer ligação com a PRECE DE CÁRITAS, prece usada em reuniões espíritas cristãs.
    Apesar de não freqüentar mais, tive uma criação no espiritismo e não achei que esta ligação podia causar qualquer tipo de problema.
    Minha intenção foi abençoar aos irmãos, POIS, ACHO QUE É O MESMO DEUS e que em nenhuma palavra a letra fere o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
    A Deus cabe julgar no momento oportuno a minha atitude e desde já assumo qualquer responsabilidade no que diz respeito a esta música.
    Sem mais
    Sérgio Knust Bittencourt Sampaio
    CPF XX3.5XX.X1X/0X”

(Caixa alta e grifos são meus!). Espiritismo Cristão????
    Um caso que muito repercutiu nos anos 70 e 80 foi o do cantor Nicolleti. Descobriu-se que ele gravava músicas compostas por um sacerdote romanista.
    Há outras uniões explicítas de produtores de bandas mundanas com cantores top do mundo gospel. Pode verificar nos newsletters das gravadoras ou no encarte dos CDs. E o que não é explícito? .
    O movimento Nova Era também tem seus expoentes com letras suaves e evocações e sempre é bom verificar o encarte dos CDs se por acaso algum cantor gospel não está bebendo em suas fontes. Alguns nomes ligados a esse movimento são Keko Brandão, Marcus Viana, Nico Resente, Edson Natale e Bené Fontelles. Um excelente artigo sobre música e compositores New Age, pode ser lido aqui.
    Poderíamos falar da pobreza geral da música evangélica contemporânea não só no aspecto teológico, mas no sentido artístico e textual. São "poemas" gramaticalmente errados, cacofônicos e até de duplo sentido, sem a menor noção de acentuação e toniciadade, aliado a um despreparo musical desesperador.
    Mas ainda é tempo de algo ser mudado. Se você é cantor ou compositor, começe a pensar no assunto. Até a próxima!
 Silvio Araújo

Um comentário:

Preletora Jurema disse...

Participei de uma palestra em uma faculdade com o tema "Religião e Educação" e uma professora que fazia sua tese citou extamente o que você escreveu. "muitas músicas cantadas por evangélicos são composições de pessoas que não são convertidas e que inclusive passam o dia bebendo no bar e depois fazem as composições." É lamentável ouvir isso. Alguns cantores, dão um péssimo testemunho.
Jurema de Souza Martins
http://preletorajurema.blogsot.com